A necessária adaptação ao mercado atual

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Modelo de CV em tablet.

Há momentos na vida em que percebemos que algo não está a acompanhar o ritmo. No meu caso, foi perceber que o meu CV parou no tempo, ainda mantinha o CV em formato Europass. Sim, aquele documento que parece ter sido desenhado por um comité europeu que nunca viu um recrutador na vida, mas que era o utilizado no momento da última actualização. Estava ali, intacto, como se tivesse sido preservado num bloco de gelo desde 2017. E eu, que sempre gostei de tecnologia, percebo agora que o meu currículo era das poucas coisas na minha vida que ainda funcionava em modo “arquivo histórico”.

Atualizá-lo não é apenas uma questão estética — é um sinal claro de que o mercado mudou, e de que eu preciso acompanhar, de mudar com ele.

1. A vontade de aprender que finalmente encontra espaço

A verdade é que, apesar da mudança, sinto-me motivado. Tenho vontade de estudar, de aprender, de investir mais seriamente numa área de IT — seja por conta de outrem ou de forma autónoma. Sempre tive esse lado técnico, mas agora sinto que é o momento certo para o trazer para a linha da frente.

E, curiosamente, esta fase dá-me algo raro: tempo. Tempo para explorar, para experimentar, para perceber onde quero realmente colocar a minha energia. Mas tempo, como sabemos, é uma ferramenta perigosa: pode ser um aliado ou um inimigo. Estou a aprender a geri-lo com calma, sem cair na tentação de querer fazer tudo ao mesmo tempo.

2. Antes de avançar, é preciso compreender o momento

Uma coisa que percebo rapidamente é que não adianta correr para formações, certificações ou candidaturas se não compreender primeiro o mercado atual. O que mudou? O que valorizam agora? Que competências são essenciais? Que áreas estão a crescer?

A adaptação não começa com ação — começa com observação. E isso, para alguém habituado a fazer, é um exercício de humildade. Mas é também libertador. De repente, deixo de sentir que estou “atrasado” e começo a perceber que estou simplesmente a reposicionar-me.

3. A mudança assusta, mas abre portas

Não vou fingir: mudar aos 40 e tal traz um nervoso miudinho. É aquela sensação de estar a entrar numa sala onde toda a gente já sabe onde se sentar, menos eu. Mas também é verdade que a mudança abre portas que antes nem se podiam imaginar. É como se, ao mexer no meu CV, estivesse também a mexer na minha percepção de mim próprio.

E isso, por si só, já vale o esforço!

4. O apoio certo no momento certo

Uma das coisas que mais me tranquiliza nesta fase é saber que não estou a fazer isto sozinho. Vou ter acompanhamento de uma empresa de Outplacement. Isso vai incluir workshops, apoio na atualização do CV, revisão do LinkedIn e, acima de tudo, conversas que espero virem ajudar a clarificar o caminho.

Já tive a primeira reunião e saí de lá com algo que não esperava: entusiasmo. Não aquele entusiasmo artificial de “vai correr tudo bem”, mas o entusiasmo real de quem percebe que tem espaço para crescer, aprender e redefinir o seu percurso.

5. Reinventar-se não é um luxo — é uma necessidade

Hoje, enquanto reorganizo o meu CV, pondero o estudo de novas áreas e tento compreender o mercado. Percebo que esta adaptação não é apenas profissional, é pessoal. É uma oportunidade de alinhar quem sou com aquilo que quero fazer daqui para a frente.

E, sinceramente, já não vejo isto como uma crise. Vejo como um recomeço — e dos bons!

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