Entre tantas ideias que surgem em cursos e leituras, há algumas que nos encontram no momento certo. O ho’oponopono foi uma delas. O tema veio à discussão no tal curso que vos referi. Não chegou com promessa de transformação instantânea — apareceu com serenidade, como quem diz: “já fazes isto há muito tempo, só não sabias que tinha nome”. E foi precisamente essa descoberta tranquila que me fez sorrir.
1. Quando descubro que as quatro premissas fazem sentido para mim
A teoria do ho’oponopono, baseia-se em quatro premissas:
- Sinto muito.
- Perdoa-me.
- Amo-te.
- Sou grato.
Simples, diretas, quase desarmantes. E, enquanto ouço, percebo que me identifico com todas. Não porque seja um mestre zen escondido num corpo de português comum, mas porque, de alguma forma, já vivo com esta lógica de reconciliação interna.
É curioso como certas ideias chegam com a sensação de “já cá estavam”. Só precisavam de ser iluminadas.
2. Quando percebo que já praticava, mas sem consciência disso
O mais engraçado é que, ao ouvir sobre o ho’oponopono, não sinto que estou a aprender algo totalmente novo. Sinto que estou a reconhecer algo que já faço. A diferença é que agora lhe dou atenção. Agora observo. Agora aperfeiçoo.
É como quando descobrimos que aquela mania que temos desde sempre afinal tem um nome técnico. Não muda nada, mas muda tudo.
3. Quando começo a procurar mais, mas sem exageros
Claro que, depois do curso, a curiosidade desperta. Começo a pesquisar, a ouvir mais, a tentar perceber de onde vem esta filosofia havaiana que parece tão simples e tão profunda ao mesmo tempo. E, como acontece sempre que menciono temas mais espirituais, lembro-me de um grande amigo que vive mergulhado em artes marciais, shiatsu e medicina oriental.
Falo-lhe do ho’oponopono e ele sorri como quem diz: “Bem-vindo ao clube, chegaste tarde mas chegaste bem.” Há pessoas assim: guardiões discretos de mundos que só descobrimos quando estamos prontos.
4. Quando percebo que não preciso de transformar isto num projeto
O mais curioso é que, depois de toda esta descoberta, não sinto necessidade de transformar o ho’oponopono numa prática rígida, numa rotina diária ou num ritual obrigatório. Não sinto pressão para repetir frases, acender velas ou criar um altar improvisado na sala.
Simplesmente continuo a viver. Mas agora vivo com mais consciência. Com mais atenção ao que sinto. Com mais cuidado com o que digo a mim próprio. Com mais leveza quando erro. Com mais gratidão quando acerto.
E talvez seja isso que torna o ho’oponopono tão especial: não exige transformação — apenas presença.
5. Quando percebo que a vida continua, mas eu continuo melhor
Hoje, olho para esta descoberta com serenidade. Não é uma mudança radical, não é uma revelação espiritual, não é um novo capítulo dramático. É apenas mais uma peça que encaixa no puzzle da minha vida.
E, no fundo, talvez seja isso que procuro: pequenas ideias que me ajudam a viver melhor, sem complicar. O ho’oponopono não me muda — mas melhora a forma como me relaciono comigo próprio, e claro, consequentemente, com os outros.
E isso, para mim, já é mais do que suficiente.

Deixe um comentário