Há decisões que parecem pequenas, quase banais, mas que acabam por marcar uma vida digital inteira. Escolher o nome do meu domínio, quando a internet ainda era um “bairro pequeno”, foi uma dessas decisões. Hoje por muito óbvio e até arcaico que possa parecer — oMeuSite.net — na altura, foi uma mistura de pragmatismo, teimosia e um certo romantismo digital que só quem viveu a internet dos anos 2000 consegue entender.
Naquele tempo, o universo das extensões era quase minimalista por obrigação: .com, .org, .net e pouco mais. O .pt existia, sim, mas era um território reservado a empresas, entidades oficiais e profissionais. Para um curioso como eu, que só queria ter “um pedaço da internet”, o .pt era tão acessível quanto comprar um apartamento no centro de Lisboa com o salário mínimo.
1. O .com: o sonho impossível (e caro)
O meu primeiro impulso foi, claro, o clássico .com. Era o símbolo máximo de “ter um site a sério”. Mas quando fui verificar a disponibilidade, descobri que o domínio (oMeuSite) estava ocupado — e pior: à venda.
O vendedor pedia cerca de 1800 dólares. Para mim, na altura, era o equivalente a pedir um rim, metade do fígado e talvez um dedo mindinho para fechar o negócio. Hoje, curiosamente, o domínio continua à venda, agora por uns 800 dólares. Uma pechincha, se ignorarmos o facto de que continuo a não ter qualquer interesse em comprá-lo.
2. O momento “.NET faz sentido”
Foi então que olhei para o .NET. E, de repente, fez sentido. Não era apenas uma alternativa ao .com — era uma extensão com personalidade. Tinha aquele ar técnico, quase de bastidores, que me agradava. Era como dizer: “não estou aqui para vender nada, estou aqui porque gosto disto”. E, acima de tudo, estava livre. Nada de leilões, nada de intermediários, nada de preços absurdos. Era meu com um clique.
3. Ter um domínio era mais do que ter um site
Naquela altura, ter um domínio era quase um ritual de passagem. Era a sensação de conquistar um pequeno lote de terreno num mundo digital que ainda parecia infinito. Um espaço só meu, com o meu nome, o meu email, a minha identidade. Não era apenas um endereço — era um lugar.
E o .NET deu-me exatamente isso: um lugar simples, direto, sem pretensões. Um espaço onde podia experimentar, aprender, errar, recomeçar — tudo sem a pressão de parecer “profissional” demais.
4. O .NET envelheceu bem
Com o tempo, percebi que a escolha tinha sido perfeita. O .NET envelheceu bem. Continua discreto, sólido, técnico, quase artesanal. Não tenta ser moderno, não tenta ser trendy, não tenta competir com as dezenas de extensões que surgiram entretanto (.guru, .ninja, .pizza — sim, isto existe). O .NET é como aquele amigo que não fala muito, mas está sempre lá quando precisas.
Hoje, ao escrever no oMeuSite.net, sinto que a escolha do domínio faz parte da história. Não foi um plano estratégico, não foi branding, não foi marketing. Foi instinto. E, às vezes, o instinto acerta melhor do que qualquer consultor.
No fim, o .NET não foi apenas uma extensão. Foi o primeiro passo para criar um espaço que, vinte anos depois, ainda faz sentido — e que finalmente está a ganhar nova vida.

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