O curso que mudou a forma como vejo a vida (mesmo sem ser esse o objetivo)

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Cabeça humana em processamento

Há experiências que entram na nossa vida pela porta errada e acabam por se sentar no lugar certo. Em 2014 ou 2015 — já não sei precisar — inscrevi‑me profissionalmente num curso que, em teoria, era sobre “A Magia das Vendas”. Quatro dias divididos em duas semanas. Dois dias consecutivos, pausa de uma semana ou duas (não consigo dizer com exactidão) e, em seguida, mais um par de dias para concluir as sessões formativas. Nada de extraordinário à primeira vista.

Eu esperava técnicas, scripts, estratégias comerciais, talvez umas dinâmicas de grupo. O que recebi foi outra coisa: uma mudança subtil, mas profunda, na forma como passei a olhar para mim, para os outros e para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

1. Quando um curso de vendas não é sobre vendas

Logo no primeiro dia percebi que aquilo não era o típico curso corporativo. Havia algo diferente no ambiente, na linguagem, na forma como o formador conduzia as conversas.

Falava‑se de:

  • relações humanas
  • comunicação consciente
  • padrões de comportamento
  • crenças limitadoras
  • motivação
  • e até neurociência

E eu, que tinha ido à procura de técnicas de venda, dei por mim a aprender sobre como funcionamos enquanto pessoas e a conhecer-me melhor.

Foi a primeira vez que ouvi falar de forma estruturada sobre PNL — Programação Neurolinguística — e sobre como pequenas mudanças na forma de comunicar (e de pensar/analisar) podem transformar completamente a forma como nos relacionamos.

2. O impacto inesperado

O curso mexeu comigo de uma forma que não estava à espera.

Não foi um “antes e depois” cinematográfico. Foi mais como uma porta que se abre devagar, deixando entrar luz aos poucos.

Comecei a perceber:

  • porque reagia de certas formas
  • porque evitava determinadas conversas
  • porque me sentia preso em padrões que já não me serviam
  • e como podia mudar pequenas coisas para melhorar o meu equilíbrio

Foi também a primeira vez que ouvi falar de Ho’oponopono, uma abordagem simples, quase desarmante, mas profundamente humana.

A ideia de assumir responsabilidade emocional — não culpa, responsabilidade — tocou‑me de uma forma que não consigo explicar totalmente. Era como se alguém me tivesse dado uma ferramenta para limpar o ruído interno.

3. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Na altura, eu vivia muito no modo automático: trabalho, tarefas, obrigações, metas, repetições.

O curso fez‑me parar. Fez‑me olhar para a minha vida com mais distância e mais honestidade.

Percebi que:

  • não estava a gerir o meu tempo, estava a sobreviver a ele
  • confundia produtividade com urgência
  • deixava pouco espaço para mim
  • e vivia demasiado para o que era “para ontem”

A partir dali, comecei a procurar equilíbrio — não como um ideal, mas como um exercício contínuo.

E, curiosamente, foi isso que me acompanhou até hoje, nesta fase de transição de carreira e reinvenção pessoal.

4. O que ficou desses quatro dias

Não lembro todos os exercícios. Não lembro todas as frases. Mas lembro o essencial:

  • que a comunicação começa dentro de nós
  • que a forma como falamos molda a forma como pensamos
  • que a responsabilidade emocional é libertadora
  • que o equilíbrio não se encontra, constrói‑se
  • que pequenas mudanças criam grandes transformações

E lembro, acima de tudo, a sensação de que tinha recebido um mapa — não para seguir à risca, mas para consultar em qualquer momento e quando me sentisse perdido.

5. Porque escrevo isto agora

Porque, ao olhar para o oMeuSite.net e para esta nova fase da minha vida, percebo que muito do que estou a fazer hoje começou ali (ok, uns aninhos valentes mais atrás), naquele curso que não era sobre vendas, mas sobre pessoas.

Sobre mim. Sobre relações. Sobre escolhas. Sobre consciência. Sobre propósito!

E talvez seja isso que quero trazer para esta categoria de Reflexões: pequenas histórias que, de alguma forma, me ajudaram a ver o mundo com mais clareza.

Se este texto fizer sentido para alguém, da mesma forma que aquele curso abriu horizontes para mim, já valeu a pena.

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