Há reuniões que começam com entusiasmo e acabam com filosofia.
A primeira frase costuma ser “isto vai ser rápido”, e é precisamente nesse momento que devíamos levantar a mão e pedir um café… porque sabemos que não vai ser.
O relógio marca 10h00, mas o tempo, esse, entra em modo loop.
1. O ritual da reunião
Tudo começa com o clássico: o link da videoconferência, o “bom dia, conseguem ouvir?”, e o inevitável “estás em mute”.
Há sempre alguém que entra atrasado, outro que sai antes, e um terceiro que fala durante cinco minutos sem perceber que o microfone está desligado.
É quase teatro… e nós, os espectadores, fingimos que tomamos notas.
No fundo, a reunião é uma espécie de reality show corporativo: todos participam, mas ninguém ganha prémio.
2. O conteúdo (ou a falta dele)
Depois vem o momento em que percebemos que o tema principal podia ter sido resolvido com um e‑mail de três linhas.
Mas não: há slides, há screensharing, há follow‑ups.
E há sempre alguém que diz “vamos agendar outra reunião para fechar este ponto”.
É o equivalente profissional de “continua amanhã”.
O mais curioso é que, no final, todos concordam… sem saber exatamente com o quê.
3. O lado humano (e cómico)
Há quem leve a reunião como exercício de resistência. O olhar perdido, o sorriso automático, o aceno de cabeça que diz “sim” mas pensa “não”. E aquele momento em que alguém pergunta “alguém tem algo a acrescentar?” – silêncio absoluto. Nem o Teams ousa emitir som.
No fundo, há uma beleza nisto tudo: é o caos organizado da comunicação moderna.
Um espaço onde o tempo se dobra e a produtividade se esconde atrás de um PowerPoint.
4. A conclusão inevitável
Quando finalmente termina, há um breve segundo de esperança: “acabou!”. Mas logo chega o e‑mail de resumo:
“Segue minuta da reunião. Próxima sessão: quarta‑feira, 10h00.”
E assim, o ciclo recomeça. A reunião que podia ter sido um e‑mail… acaba por gerar outro e‑mail.
5. Moral da história
Há muitas formas de comunicar uma ideia: um email bem estruturado, uma reunião online rápida, uma conversa presencial mais rica em nuances ou até uma simples mensagem escrita.
Cada formato tem vantagens e limitações, e escolher o meio certo é tão importante quanto a própria mensagem, porque eficiência não é só dizer, é saber como dizer.
Nem todas as reuniões são inúteis, apenas há algumas que são mal desenhadas.
Mas há uma verdade universal: quanto mais curta a reunião, mais produtivo o dia.
E se for mesmo inevitável… que pelo menos tenha café e humor.

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