O apoio na transição de carreira – Parte II: entre entrevistas, workshops e orientação

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Profissional a caminhar num corredor iluminado, simbolizando progresso e continuidade na transição de carreira.

Nota: Este artigo é continuação de O apoio na transição de carreira.
Se ainda não leste a primeira parte, podes encontrá-la aqui.

Há fases profissionais que podem parecer suspensas no tempo.
Não são exatamente um fim, mas também não são ainda um começo.
São aquele intervalo estranho, um caminho por vezes estreito, onde se caminha devagar, mas onde, curiosamente, se cresce depressa.
A transição de carreira é isso mesmo: um espaço onde o mundo abranda, mas nós aceleramos por dentro.

E, no meio desse processo, descobrimos que não estamos sozinhos.

1. As entrevistas: duas conversas, dois mundos

Nos últimos tempos, tive um par de entrevistas, uma presencial e outra online. Se há algo que retive, é que cada formato tem a sua própria energia.

A entrevista presencial

É o clássico.
Entrar na sala, sentir o ambiente, perceber a linguagem corporal, ajustar o ritmo da conversa.
Há algo de humano e imediato no contacto direto: o aperto de mão, o sorriso, o “como está?” que quebra o gelo.
É quase como voltar a um território conhecido.

A entrevista online

Aqui, o jogo é outro.
A ligação pode falhar, a câmara pode não colaborar, e há sempre aquele momento em que nos perguntamos se estamos a olhar para o sítio certo.
Mas também tem vantagens: foco, objetividade e uma certa leveza que o ecrã traz.
É uma conversa mais limpa, mais direta, quase cirúrgica.

No fim, percebi que ambas têm valor: a presencial mostra quem somos no espaço, a online revela quem somos no essencial.

2. Os workshops: momentos que mudam mais do que parece

Ao longo desta transição, tenho participado em vários workshops. Cada um com a sua energia, o seu ritmo e a sua forma particular de nos pôr a pensar.
Não importa nem a duração nem a quantidade, importa sim a qualidade daquilo que provocaram.

Cada sessão foi uma espécie de espelho: ora para rever competências, ora para afinar discurso, ora para perceber tendências, ora para treinar presença e intenção.
E, sem darmos conta, começamos a ligar pontos, a reorganizar ideias, a ganhar clareza.

Há um detalhe que só quem passa por este processo entende:
não é apenas sobre “ficar melhor preparado”.
É sobre ficar mais consciente. Mais alinhado. Mais inteiro.

Os workshops não são apenas formação, acabam por ser uma espécie de fisioterapia profissional.
Ajudam a recuperar postura, corrigir movimentos e devolver confiança.

3. O acompanhamento: quando a consultora não é só consultora

Há processos que se tornam mais leves porque alguém caminha ao nosso lado. No meu caso, esse alguém foi a consultora de outplacement.

Não é apenas orientação técnica.
É presença.
É consistência.
É aquele equilíbrio raro entre profissionalismo e humanidade.

Ela não diz apenas “faça assim”. Diz “vamos por aqui”. E isso muda tudo.

O acompanhamento constante trouxe clareza, ritmo e, acima de tudo, confiança.
Aquela confiança que às vezes se perde no meio da transição, mas que volta quando alguém nos lembra do que já fizemos e do que ainda podemos fazer.

4. O que fica depois disto tudo

A transição deixa marcas – das boas!
Aprendemos a olhar para o processo com menos ansiedade e mais curiosidade.
Percebemos que entrevistas não são exames, mas conversas.
Que workshops não são tarefas, mas ferramentas.
E que acompanhamento não é dependência, mas suporte.

No fundo, descobrimos que a transição não é um intervalo.
É um (grande) investimento.

5. Conclusão prática

Se há algo que esta fase me está a ensinar, é isto:
a transição não é um tempo perdido, é um tempo ganho.
É o momento em que afinamos competências, ajustamos expectativas, fortalecemos a narrativa e recuperamos a confiança.
E, quando finalmente chega a oportunidade certa, não somos apenas candidatos.
Somos profissionais mais completos.

Nota editorial

Este percurso tem sido acompanhado pela consultora Ana Paula Gonçalves, da LHH Portugal, cujo apoio tem sido fundamental para trazer clareza, foco e direção a esta fase de transição. A orientação, os workshops e as conversas ao longo deste processo inspiraram parte das reflexões que partilho neste artigo.
Perfil da consultora: LinkedIn
Empresa: LHH Portugal

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