Certas épocas do ano que chegam sem pedir licença… e ainda bem!
O verão é uma delas.
Traz luz, cheiro a grelhados, música ao longe e aquela sensação de que, de repente, tudo fica mais leve.
Os dias esticam, o tempo abranda e as pessoas recuperam um pedaço de alegria que parecia estar em modo hibernação desde o último equinócio.
E é também a época em que todos (crianças e adultos) começam a contar os dias para as tão desejadas férias.
Para uns, é a libertação da escola; para outros, é a pausa merecida depois de meses de rotina.
Para todos, é a promessa de descanso, convívio e pequenos rituais que fazem o verão ser verão.
1. O verão que chega sempre no momento certo
Todos os anos, o verão aparece com a pontualidade de quem sabe que faz falta.
E traz consigo aquele convite silencioso para abrandar.
Para sair mais tarde, para conversar mais tempo, para deixar que o dia se prolongue até ao último fio de luz.
É a estação em que o corpo pede movimento, mas sem pressas.
E a mente agradece o descanso das rotinas rígidas, trocando listas de tarefas por listas de petiscos e planos de férias.
2. Sardinhas, caracóis e outros dilemas gastronómicos
Há quem diga que o verão começa no primeiro dia de praia, aquele momento em que a toalha ainda cheira a armário, a água está fria demais e o protetor solar parece cimento fresco.
Outros defendem que o verdadeiro início é gastronómico: a primeira sardinha no pão ou o primeiro prato de caracóis, acompanhado daquela discussão anual sobre qual dos dois “marca oficialmente a estação”.
E depois há os dilemas que só o verão consegue criar: o equilíbrio entre comer “só mais uma sardinha” e admitir que já vamos na quarta; ou a paciência necessária para esperar pelos caracóis, que demoram tanto a chegar à mesa que quase parecem estar a vir pelo próprio pé.
O verão tem este talento raro: transforma pequenos hábitos em rituais, e rituais em histórias que repetimos todos os anos como se fossem novas.
3. Feiras, carrosséis e a alegria que nunca passa de moda
As feiras de verão são um capítulo à parte.
Carrosséis que giram como se o tempo não existisse, luzes coloridas, música alta, farturas acabadas de fazer, pipocas que desaparecem misteriosamente e algodão doce que cola mais às mãos do que à boca.
E depois há as crianças, que vivem tudo isto como se fosse a primeira vez.
Talvez porque, para elas, é mesmo.
Para nós, adultos, é o mais próximo que temos da antiga Feira Popular, aquela onde ríamos sem pensar, corríamos sem destino e acreditávamos que o mundo era um parque de diversões permanente.
Há memórias que não voltam, mas há sensações que regressam todos os anos.
4. Concertos ao ar livre e conversas que só acontecem no verão
Os concertos ao ar livre têm uma magia própria.
A música mistura-se com o vento, com o cheiro a comida, com o burburinho das pessoas.
E há sempre aquele momento em que olhamos à volta e percebemos que estamos exatamente onde devíamos estar.
O verão cria espaço para conversas que não cabem no inverno.
Conversas longas, leves, sem relógio.
Conversas que começam num tema e acabam noutro, como quem passeia sem destino.
5. As tão desejadas férias – o verdadeiro marco da estação
Para muitos, o verão só começa mesmo quando chegam as férias.
Aquele momento em que o despertador deixa de mandar, o tempo deixa de correr e o dia passa a ter outra textura.
As crianças contam as semanas como quem conta tesouros; os adultos contam os dias como quem conta sobrevivências.
E quando finalmente chegam, percebemos que as férias não são apenas descanso, são reencontros.
Com o corpo, com a mente, com os outros.
E, às vezes, connosco próprios.
6. No fundo, o verão lembra-nos do essencial
Celebrar.
Estar com os outros.
Rir sem motivo.
Comer o que sabe bem.
Aproveitar o dia até ao último raio de sol.
E, claro, tirar férias… porque ninguém é de ferro.
O verão não resolve tudo, mas lembra-nos do que importa.
E isso, por si só, já é um bom começo.

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